quarta-feira, 23 de abril de 2025

NA NETFLIX - Como Ganhar Milhões Antes que a Vovó Morra

 

Por Isa Barretto

Dirigido por Pat Boonnitipat e protagonizado com uma entrega emocionante por Usha Seamkhum e Putthipong Assaratanakul , o filme tailandês surpreende ao entregar uma história profunda, cheia de humanidade e silêncios que gritam.

Não se engane pelo título: o que parece ser uma comédia de interesse logo revela sua verdadeira essência — um drama sensível, dolorosamente real, sobre vínculos familiares, finitude e o amor que nasce nos detalhes de quem cuida e é cuidado.

Para quem já acompanhou de perto a jornada de um familiar fragilizado, o filme é um espelho. Ele ativa gatilhos profundos: o cansaço físico, a exaustão emocional, a culpa invisível e o medo de não estar fazendo o suficiente. Mas também lembra das pequenas graças — um olhar, uma lembrança dividida, um gesto silencioso que diz: “você não está sozinho”.

A relação entre a avó e o neto é o coração pulsante da narrativa. Eles não partem de um laço idealizado — há mágoas, ruídos e interesses misturados. Mas é nesse terreno imperfeito que floresce algo genuíno: o cuidado que transforma, o afeto que amadurece, o amor que aprende a se expressar mesmo diante da morte.

'Como Ganhar Milhões Antes que a Vovó Morra' não quer apenas emocionar — ele quer que a gente lembre. Lembre da última refeição dada com carinho. Lembre do tempo que faltou e do que foi possível oferecer. Lembre que algumas heranças não são materiais, mas ficam marcadas para sempre.

Prepare os lenços. Não apenas para as lágrimas, mas para limpar o coração de quem, por amor, já ficou até o fim.


terça-feira, 22 de abril de 2025

NOS CINEMAS - Pecadores


Por Rafael Morais e Isa Barretto

Imagine se Jordan Peele dirigisse 'Um Drink no Inferno': esse é 'Pecadores', novo filme escrito e dirigido por Ryan Coogler. Ambientada no sul dos Estados Unidos, a obra é banhada por suor, talento, fé e sangue. O filme nos conduz ao Mississipi da década de 1930, período ainda marcado pelo segregacionismo, onde cada esquina guarda um segredo e cada nota de blues pode acordar algo ancestral.

Logo de início, conhecemos os irmãos gêmeos Fumaça e Fuligem (Michael B. Jordan em um trabalho impressionante de dualidade), que vivem no limiar entre o sagrado e o profano. Anti-heróis complexos, que não são exatamente maus — apenas frutos de um mundo que se alimentava do sofrimento negro enquanto dizimava suas raízes.

No universo de 'Pecadores', a música é mais do que expressão: é ritual. O blues, roubado por mãos brancas, torna-se um canal para entidades, pactos e possessões. A crítica sobre apropriação cultural é tão clara quanto cortante. Aqui, o vampirismo é simbólico e literal: quem consome a arte negra também suga sua alma, sua história — e apaga quem a produziu.

É nesse cenário que brilha Sammie, “O Pastorzinho” (Miles Caton), dividido entre seguir os passos de fé do pai ou mergulhar no blues, sua paixão e vocação mais profunda. Em uma das falas mais marcantes do filme, o pai lhe diz: “Se você dança com o diabo, um dia ele vai bater à sua porta.” Essa sentença ecoa como maldição e aviso, não apenas para Sammie, mas para todos que caminham na corda bamba entre a perdição e a rendição.

A fé, neste filme, é chave. Não como um dogma, mas como uma barreira contra o mal. Ryan Coogler articula, com maestria, uma fábula de surrealismo negro onde o espiritual está entrelaçado ao cotidiano e a salvação exige não só escolha, mas coragem e raízes firmes.

O fato é que Coogler não faz apenas um filme de terror. Ele invoca. Ele denuncia. Ele celebra e transcende. 'Pecadores' é uma obra onde os mortos falam e os vivos lutam para não se perder. Ao final, a pergunta não é sobre o bem ou o mal — mas sobre quem bateu à sua porta…e se você abriu.

sábado, 19 de abril de 2025

PARALELOS - 'Aqui' e 'Sombras da Vida'


Por Isa Barretto

Entre paredes e séculos: o tempo como morador silencioso.

Existem filmes que não falam com pressa. Eles sussurram. Observam. Deixam o tempo passar enquanto a gente sente. 'Aqui' (Here) e 'Sombras da Vida' (A Ghost Story) são exatamente assim. Duas obras que, em silêncio e delicadeza, nos lembram que o tempo não pede licença — ele simplesmente mora ali, com a gente, mesmo quando não notamos.

Ambos os filmes têm um ponto fixo: uma casa. Uma sala. Um pedaço de chão. É ali que tudo acontece — e desacontece. Em Aqui, dirigido por Robert Zemeckis, a câmera fixa observa décadas se desenrolarem em uma mesma sala. Vidas entram e saem, histórias se tocam sem se ver. E o que parece banal — uma janela, um sofá, uma fotografia esquecida — se torna testemunha de amores, dores, silêncios e recomeços.

Já em 'Sombras da Vida', de David Lowery, é o próprio tempo que veste um lençol. Um fantasma silencioso observa o mundo girar sem ele. O apego à casa não é apenas por saudade — é por tudo o que ela representava: um amor, um propósito, um lar. E o filme nos lembra de forma quase poética que o tempo passa diferente quando a alma não está pronta pra partir.

Ambos nos fazem pensar: quantas memórias existem em um cômodo onde hoje só há silêncio? Quantas versões de nós já passaram por onde agora estamos sentados?

É sobre isso. Sobre o quanto o espaço nos molda. Sobre como a casa, às vezes, guarda mais da gente do que a própria memória. E sobre como o tempo — esse inquilino invisível — permanece, mesmo quando tudo muda.

Entre móveis que mudam de lugar e luzes que atravessam a parede, 'Aqui' e 'Sombras da Vida' nos convidam a parar. A perceber que o tempo está sempre presente, mesmo quando achamos que ele foi embora. E talvez o grande gesto seja aceitar: tudo passa… mas algumas presenças,mesmo invisíveis, permanecem.

sábado, 12 de abril de 2025

NOS CINEMAS - Mickey 17


Por Isa Barretto

O que define um bom filme?

Pra muita gente, é a história que prende. Pra outros, são os personagens que parecem de verdade. E tem quem se encante com a direção afiada, a fotografia que emociona, ou até aquele final que fica dias na cabeça. Um bom filme é aquele que conecta — com o público, com a emoção, com a própria proposta. E é exatamente aí que 'Mickey 17', novo trabalho de Bong Joon-ho (adaptação do livro homônimo de Edward Ashton), derrapa feio.

Depois do sucesso estrondoso de Parasita, que levou o Oscar e arrebatou plateias no mundo todo, a expectativa era que Bong entregasse mais uma obra com identidade forte, e narrativa inteligente. Mas 'Mickey 17' parece tropeçar na própria ambição.

A premissa até chama atenção: Mickey é um “descartável”, um clone enviado para missões suicidas em um planeta inóspito, renascendo com todas as memórias da versão anterior. A ideia abre espaço para discussões filosóficas e sociais potentes: até onde vai o valor da vida quando podemos simplesmente “repor” alguém? O que define a identidade quando se é substituível? E mais — o que acontece quando um planeta já habitado precisa ser esvaziado para dar lugar à colonização humana? Quem decide quem fica e quem deve ser apagado?

O problema é que o filme levanta essas perguntas, mas não sustenta o debate. As duplicações se acumulam, os conflitos morais são apenas sugeridos, e o roteiro vai se perdendo entre idas e vindas desconexas. Falta amarração, falta ritmo, falta entrega.

Robert Pattinson se esforça para dar vida (ou vidas?) a Mickey, mas a atuação de Mark Ruffalo, por exemplo, parece fora de tom, quase deslocada — como se estivesse em outro filme. A sensação é de que o elenco, assim como o espectador, ficou esperando o momento em que tudo faria sentido. Mas esse momento nunca chega.

'Mickey 17' tem bons questionamentos, uma estética interessante e um diretor renomado por trás. Mas esquece de fazer o principal: contar uma história que envolva. No fim, fica a impressão de que vimos muitas versões de um personagem, mas nenhuma versão de um bom filme.

quinta-feira, 13 de março de 2025

EM BREVE na HBO MAX e PRIME VIDEO - Acompanhante Perfeita

Por Isa Barretto

Já imaginou um relacionamento onde o parceiro sempre te entende, nunca discorda e está ali para te satisfazer em todos os sentidos? Parece o sonho perfeito, né? Mas e se esse "parceiro" for, na verdade, um programa de inteligência artificial arquitetado para atender aos seus desejos sem questionar? É exatamente essa a premissa de Acompanhante Perfeita (Companion), filme dirigido por Drew Hancock, que mistura ficção científica e terror para entregar uma história surpreendente e inquietante.

O protagonista, Josh (Jack Quaid), tem tudo o que quer em Iris (Sophie Thatcher). Ela é linda, dedicada e incapaz de dizer "não". O detalhe? Ela não tem escolha. É um ser artificial programado para obedecê-lo sem questionar, mesmo quando ele a conduz a ultrapassar limites impensáveis, transformando-a em uma peça de seu próprio jogo manipulador. É a partir desse momento que o filme toma um rumo intenso, revelando não apenas a crueldade de Josh, mas também o quanto essa dinâmica reflete um ciclo de abuso real.

O que torna Acompanhante Perfeita tão envolvente é como a história brinca com a tensão. A direção de Hancock sabe exatamente como segurar o espectador, com uma atmosfera cada vez mais sufocante à medida que Iris começa a perceber que está presa em uma relação doentia. O terror aqui não se apoia em sustos previsíveis, mas na inquietação crescente de que algo está profundamente errado – e na percepção de que essa dinâmica de controle e submissão está mais próxima da nossa realidade do que gostaríamos de admitir.

E aí vem o grande ponto do filme: quando Iris finalmente tem a chance de tomar uma decisão por si mesma, o que a impede?O que a faz continuar presa ao mesmo homem que a explorou e usou para seus próprios interesses? Essa é uma questão brutalmente real. Quantas mulheres, mesmo sem serem controladas por IA, permanecem em relações tóxicas por medo, dependência emocional ou até por acreditarem em um amor que nunca existiu?

Companion entrega um filme que, além de entreter, dá aquele soco no estômago. É sobre controle, submissão e a ilusão do "amor perfeito". E, no final, a maior reflexão fica para o espectador: se alguém pudesse criar um parceiro sob medida, sem vontades próprias, o que isso revelaria sobre sua verdadeira natureza?

Enfim, uma experiência intensa, que vale cada minuto.

*Para quem perdeu nos cinemas, a chance de assistir está chegando! Em breve, ‘Acompanhante Perfeita’ nos melhores streamings. Fique de olho!"


 

domingo, 2 de março de 2025

PALPITES OSCAR 2025

 

Por Rafael Morais e Isa Barretto

Como de costume, seguem os nossos palpites nas principais categorias. Serão divididos em "na torcida, quem ganha e correndo por fora". Façam suas apostas...


MELHOR FILME (Rafael Morais)

Na torcida - Duna Parte 2

Quem ganha - O Brutalista

Correndo por fora – Anora


MELHOR FILME (Isa Barretto)

Na torcida - A Substância 

Quem ganha - O Brutalista 

Correndo por fora – Anora


DIRETOR (Rafael Morais)

Na torcida – Coralie Fargeat (A Substância)

Quem ganha - Brady Corbet (O Brutalista)

Correndo por fora – Sean Baker (Anora)


DIRETOR (Isa Barretto)

Na torcida – Coralie Fargeat (A Substância) 

Quem ganha - Brady Corbet (O Brutalista)

Correndo por fora – Sean Baker (Anora)


ATOR (Rafael Morais)

Na torcida – Adrien Brody (O Brutalista)

Quem ganha – Adrien Brody (O Brutalista)

Correndo por fora - Ralph Fiennes (Conclave)


ATOR (Isa Barretto)

Na torcida – Ralph Finnes (Conclave)

Quem ganha – Adrien Brody (O Brutalista)

Correndo por fora - Timothée Chalamet (Um Completo Desconhecido)


ATRIZ (Rafael Morais)

Na torcida – Fernanda Torres (Ainda Estou Aqui)

Quem ganha - Demi Moore (A Substância)

Correndo por fora - Mikey Madison (Anora)


ATRIZ (Isa Barretto)

Na torcida – Fernanda Torres (Ainda estou aqui)

Quem ganha - Demi Moore (A Substância)

Correndo por fora - Mikey Madison (Anora)


ATOR COADJUVANTE (Rafael Morais)

Na torcida – Yura Borisov (Anora)

Quem ganha - Kieran Culkin (A Verdadeira Dor)

Correndo por fora – Kieran Culkin (A Verdadeira Dor)


ATOR COADJUVANTE (Isa Barretto)

Na torcida – Yura Borisov (Anora)

Quem ganha - Kieran Culkin (A verdadeira Dor)

Correndo por fora – Kieran Culkin (A verdadeira Dor)


ATRIZ COADJUVANTE (Rafael Morais)

Na torcida - Ariana Grande (Wicked)

Quem ganha - Zoe Saldaña (Emilia Pérez)

Correndo por fora - Felicity Jones (O Brutalista)


ATRIZ COADJUVANTE (Isa Barretto)

Na torcida - Ariana Grande (Wicked)

Quem ganha - Zoe Saldaña (Emilia Pérez)

Correndo por fora - Felicity Jones (O Brutalista)


ROTEIRO ADAPTADO (Rafael Morais)

Na torcida – Conclave

Quem ganha - Conclave

Correndo por fora - Conclave


ROTEIRO ADAPTADO (Isa Barretto)

Na torcida – Conclave

Quem ganha - Conclave

Correndo por fora - Conclave


ROTEIRO ORIGINAL (Rafael Morais)

Na torcida – A Substância 

Quem ganha – O Brutalista

Correndo por fora - Anora


ROTEIRO ORIGINAL (Isa Barretto)

Na torcida – A Substância 

Quem ganha – Anora 

Correndo por fora - O Brutalista 


TRILHA SONORA ORIGINAL (Rafael Morais)

Na torcida – O Robô Selvagem

Quem ganha - O Brutalista

Correndo por fora – Wicked


TRILHA SONORA ORIGINAL (Isa Barretto)

Na torcida – Robô Selvagem 

Quem ganha - Wicked 

Correndo por fora – O Brutalista 


FILME INTERNACIONAL (Rafael Morais)

Na torcida – Ainda Estou Aqui

Quem ganha – Ainda Estou Aqui

Correndo por fora – Ainda Estou Aqui


FILME INTERNACIONAL (Isa Barretto)

Na torcida – Ainda Estou Aqui

Quem ganha – Ainda Estou Aqui

Correndo por fora – Ainda Estou Aqui


ANIMAÇÃO (Rafael Morais)

Na torcida – O Robô Selvagem 

Quem ganha - O Robô Selvagem

Correndo por fora - Flow


ANIMAÇÃO (Isa Barretto)

Na torcida – O Robô Selvagem 

Quem ganha - O Robô Selvagem

Correndo por fora - Flow


FIGURINO (Rafael Morais)

Na torcida – Wicked

Quem ganha – Wicked 

Correndo por fora – Wicked


FIGURINO (Isa Barretto)

Na torcida – Conclave 

Quem ganha – Wicked

Correndo por fora – Gladiador 2


DIREÇÃO DE ARTE (Rafael Morais)

Na torcida – Duna 2

Quem ganha – Duna 2

Correndo por fora – Wicked 


DIREÇÃO DE ARTE (Isa Barretto)

Na torcida – Duna 2

Quem ganha – Duna 2

Correndo por fora – Wicked


EDIÇÃO (Rafael Morais)

Na torcida – Conclave

Quem ganha – Conclave

Correndo por fora – Anora


EDIÇÃO (Isa Barretto)

Na torcida – Conclave

Quem ganha – Conclave

Correndo por fora - O Brutalista


SOM (Rafael Morais)

Na torcida – Duna 2

Quem ganha – Duna 2

Correndo por fora – Duna 2


SOM (Isa Barretto)

Na torcida – Duna 2

Quem ganha – Duna 2

Correndo por fora – Wicked


EFEITOS VISUAIS (Rafael Morais)

Na torcida – Duna 2

Quem ganha – Duna 2

Correndo por fora – Duna 2


EFEITOS VISUAIS (Isa Barretto)

Na torcida – Duna 2

Quem ganha – Duna 2

Correndo por fora – Duna 2


FOTOGRAFIA (Rafael Morais)

Na torcida – Duna 2

Quem ganha – O Brutalista

Correndo por fora – O Brutalista


FOTOGRAFIA (Isa Barretto)

Na torcida – Duna 2

Quem ganha – Duna 2

Correndo por fora – O Brutalista


ESPECIAL OSCAR 2025 - Um Completo Desconhecido

 

Por Isa Barretto

"Um Completo Desconhecido", dirigido com maestria por James Mangold, é mais do que uma cinebiografia; é uma jornada pela alma inquieta de Bob Dylan, o artista que nunca quis ser colocado em uma "caixa". O filme vai além da superfície ao retratar um jovem cuja voz e identidade estavam sempre em movimento, desafiando rótulos e expectativas.

Timothée Chalamet entrega uma performance impressionante, capturando a essência de Dylan em cada gesto e silêncio. Sua atuação vai além da simples imitação; ele incorpora o espírito livre e indomável de alguém que, como em "Blowin' in the Wind", entendia que as respostas estavam sempre ao vento, jamais fixas. Chalamet transmite essa sensação de constante transformação, onde o personagem não se limita a ser apenas um cantor folk ou um porta-voz de geração.

A direção de Mangold complementa essa entrega com uma sensibilidade notável. A câmera não apenas segue o protagonista, mas ela o observa de perto, como se registrasse cada instante de suas batalhas internas para se manter fiel a si mesmo. O filme não busca oferecer respostas prontas ou definir o protagonista de maneira única. Pelo contrário, celebra o mistério e o enigma que ele sempre foi.

Um dos maiores méritos do longa é mostrar a coragem de Dylan ao romper com o movimento folk tradicional. A cena da performance elétrica no Newport Folk Festival é um ponto alto, não pela polêmica em si, mas pela mensagem poderosa: Dylan nunca foi um artista de seguir regras. Sua transição para o rock não foi uma traição, mas uma declaração de independência artística. Em várias entrevistas, Dylan fez questão de dizer que não era uma cantor folk, apenas o rotularam assim, e essa autenticidade é o que o filme capta tão bem.

A música, mais do que trilha sonora, é a espinha dorsal da narrativa. Cada canção se apresenta quase como um diálogo interno, trazendo à tona os medos, as dúvidas e o desejo incessante de se reinventar. As letras de "Like a Rolling Stone" parecem ecoar na jornada do protagonista, onde a falta de direção não é um problema, mas uma escolha consciente de quem se recusa a ser definido por outros.

"The times they are a-changin'", "Os tempos estão mudando"...e o filme celebra essa mudança com coragem. Na vulnerabilidade do protagonista, o público encontra inspiração e a lembrança de que, às vezes, ser um completo desconhecido para o mundo é o primeiro passo para se tornar verdadeiramente autêntico. Afinal, como Dylan sempre mostrou: o importante não é se encaixar, mas continuar fiel ao som único de sua própria voz.